Vitória Consagradora em 2012

Na terceira vez em que se lançou candidato, Zé de Souza conquista uma vaga na Câmara Municipal e bate recorde de votos do PT em Contagem

Após duas derrotas consecutivas, com menos votos obtidos na segunda tentativa que na primeira, seria normal que qualquer candidato repensasse sua vida política. Foi o que aconteceu com Zé de Souza. Tanto que, depois dos insucessos em 2000 e 2004, ele abdicou de se candidatar novamente em 2008. Em 2012, contudo, a história foi diferente.

O caminho rumo à Câmara começou a ser traçado quando Zé de Souza era o titular da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de Contagem. Ele chegara ali após seu trabalho à frente do PT municipal, principalmente nas campanhas vitoriosas de Marília Campos pela Prefeitura. Sua presença na Secretaria, aliás, foi uma exigência do próprio partido, rapidamente apoiada pela prefeita.

Se até 2009 Zé de Souza era conhecido praticamente em sua comunidade, na região do bairro Estrela D’Alva, a atuação como secretário expandiu sua área de atuação em Contagem. “Na Secretaria, eu pude conhecer melhor os problemas da cidade como um todo e falar para um número muito maior de pessoas”, confirma. “Assumir esse espaço político foi muito importante”, completa.Zé de Souza

Zé de Souza_74

Importante principalmente, ressalte-se, pela relação histórica do PT com a defesa dos direitos humanos. A própria criação da Secretaria, que teve Zé de Souza como pioneiro no comando, foi um reflexo das políticas adotadas pelo governo federal desde o primeiro mandato do presidente Lula. “Apesar da dotação ser mínima, criamos a Secretaria e, aos poucos, fomos dando vida aos trabalhos”, recorda Zé.

Na Prefeitura, Zé de Souza estreitou laços com Bruno Roger Ribeiro, eleito em 2011 secretário da Juventude do PT estadual. “O Bruno veio para ser coordenador de Direitos Humanos e logo assumiu todas as políticas inclusivas do município. Jovem, é um rapaz com muito conhecimento. Muito de minha eleição eu devo a ele”, assume Zé.405484_267456563365139_1612250047_n

Formado em Filosofia, Bruno ficou responsável pela articulação política e por todas as demandas estratégicas da campanha. “Eu pude andar a cidade. Foi possível traçar parâmetros que nos permitissem, de fato, construir a ideia de como obter o mandato”, explica Zé, que volta a elogiar o assessor. “Foi algo muito pensado, trabalhado, direcionado, que o Bruno fez”.

Na campanha, Zé de Souza se tornou unanimidade entre os principais líderes do PT em Minas Gerais. A seu lado estavam o ex-ministro do governo Lula e atual ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, o deputado federal Gabriel Guimarães, a atual presidente estadual do PT, Cida de Jesus, e o então presidente do PT de Contagem, Lindomar Gomes. Sem esquecer, é claro, o deputado estadual Durval Ângelo, candidato a prefeito da cidade naquele ano.

A despeito de apoios tão significativos, a campanha foi feita com muita simplicidade. Com recursos financeiros limitados, não havia a mínima possibilidade de esbanjar, tudo era muito contado. “Ter muito dinheiro não garante a vitória em uma eleição, mas possibilita uma série de fatores, principalmente na estrutura da campanha. Quando estipulamos que seria preciso quatro mil votos, tivemos que repensar todo o trabalho”, explica Zé. E tudo isso em apenas três meses.

Por mais que os companheiros mais próximos se mostrassem otimistas, Zé de Souza sempre manteve os pés no chão. Confiava na vitória, mas nunca demonstrou soberba ao longo da campanha. “Ter muita certeza da vitória é o primeiro passo para a derrota. Não pode ter salto alto, tem que trabalhar o tempo todo, vigiar tudo, até sair o resultado”. Ou como diz o ditado: eleição e mineração, só depois da apuração.

O empenho e a prudência foram recompensados tão logo os primeiros resultados foram divulgados. Com 4.030 votos, Zé de Souza não apenas foi eleito como obteve a maior votação que um candidato de esquerda já tivera em Contagem, superando o recorde até então pertencente a Marília Campos. A sensação de dever cumprido imperou. “Nós sabíamos que seria preciso uma quantidade dessas de votos para garantir a vitória. Quando eu digo nós, me refiro a mim e ao Bruno. Nunca comentamos nada com ninguém, só estou contando isso hoje”, confidencia.488329_267458396698289_664417137_n