Vida na Política

Zé de Souza se firma em Contagem e dá os primeiros passos para se tornar um homem público

Na Boa Sorte, Zé de Souza foi responsável por integrar os moradores do lugarejo à vida na Igreja, trazendo para a sociedade local o protagonismo das ações na paróquia. Em Mutum, mesmo diante de inúmeras dificuldades – a luta contra a fome a maior delas –, ajudou a organizar o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e participou da formação do PT na cidade. Movido pela inquietude, não seria em Contagem que ele se acomodaria e cuidaria tão somente de sua própria vida, de seus próprios interesses.

Filiado ao PT, mas ainda com suas obrigações eleitorais vinculadas a Mutum, Zé de Souza agiu com cautela. Seus primeiros passos, naturalmente, foram na Igreja, onde logo se destacou. “Eu me mudei, mas de três coisas não abria mão: continuar católico, petista e cruzeirense”, brinca Zé. Que não conseguia ser apenas mais um na multidão. “Eu ia para a Igreja, mas não para ficar sentado no banco ouvindo o padre pregar. Eu ia para pregar, para falar, tinha que me sentir importante”.

Assim como na Boa Sorte, Zé de Souza assumiu a coordenação da Igreja em Contagem, que principiava uma aproximação com a política local. Dentro do PT, entretanto, o caminhar foi mais cauteloso. “Como que eu ia chegar e já querer participar da vida de um partido político? Lá no interior eu participava, mas não era protagonista. Não dá para simplesmente chegar e ir entrando”. A solução foi começar pela base, por sua comunidade.

O ano de 1996 marcou de vez a participação de Zé no PT contagense. Ele foi um dos primeiros no partido a apoiar a candidatura de Marília Campos à Prefeitura, em uma acirrada disputa no diretório local. Com 18% dos votos, Marília acabou não se elegendo – o vitorioso foi Newton Cardoso –, mas pavimentou sua trajetória como uma das principais lideranças políticas de esquerda na cidade. Sem nunca se esquecer do apoio recebido pelo até então desconhecido Zé de Souza.

Em 2000, presidente do PT municipal (cargo que exerceria outras três vezes), a candidatura de Zé de Souza à Câmara aconteceu naturalmente. Apesar dos esforços – a família, principalmente, se dedicou em peso na campanha –, a vitória não veio. Os 1213 votos foram insuficientes para garantir a eleição, mas deixaram Zé satisfeito. “Sabe aquela eleição que você perde, mas fica a sensação de ter vencido? Foi muito bom”, relembra.

Entremeando o trabalho na van com a assessoria ao padrinho político e deputado estadual Durval Ângelo, Zé não se abalou com a primeira derrota, muito menos com a segunda. Mesmo tendo recebido menos votos em 2004, 1019. “Tive sorte de ter mais de mil votos. Estava colocando em jogo meu saldo político, tinha sido o quinto mais votado na eleição anterior, era o presidente do partido. Se fossem só 500 votos, ia ter que voltar a plantar café em Mutum de novo”, brinca.

Reconduzido à presidência do PT, Zé de Souza fez seu debute em um cargo executivo em 2005. Marília Campos, então deputada estadual, elegeu-se prefeita de Contagem, com 183,5 mil votos no segundo turno. Novamente com o apoio de Zé de Souza, que comandou o partido em prol de uma candidata única, apesar de outros três postulantes ao cargo.

A lealdade e a competência política de Zé de Souza foram recompensadas pela nova mandatária, que o escolheu para ser o administrador da recém-criada Regional Nacional. Para continuar colaborando com o povo de Contagem, ele abriu mão de um cargo em Furnas e de um salário maior. Afinal, poder ajudar sua comunidade vinha sempre em primeiro lugar.

Na regional, Zé ficou por um ano e meio, o que serviu para ampliar seus conhecimentos sobre a cidade, principalmente no que diz respeito às necessidades do povo. O que contribuiu em seu trabalho de base na campanha de Durval Ângelo em 2006 que, com 92.807 votos (seu recorde pessoal), foi eleito pela quarta vez deputado estadual.

Em 2008, Zé de Souza outra vez foi fundamental para pacificar o PT de Contagem em torno da reeleição de Marília. Com serenidade, ele impediu a disputa de prévias, o que facilitou, e muito, a nova vitória da prefeita. De quebra, foi decisivo para a vitória de Kawlpter Prates, eleito vereador com 3.758 votos, sexto colocado no geral e primeiro entre os candidatos petistas.

Contagem é a terceira maior cidade de Minas Gerais. Tem cerca de 650 mil habitantes, atrás somente da capital e de Uberlândia. Tem sua economia calcada no comércio e na indústria, com um PIB per capita superior a R$ 33 mil. E como todas as cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem suas dificuldades, seus problemas e, principalmente, suas desigualdades de cunho social.

Foi para combater tais desigualdades que Zé de Souza trabalhou todos esses anos. Não por vaidade ou pensando em seu enriquecimento pessoal, em seu próprio proveito. Ao contrário, sacrificou sua vida, sua família, para realizar essa missão. Que segue sendo perseguida todos os dias, independentemente de ocupar um cargo, de ser algo, de exercer uma função. O que lhe garantiu não apenas a confiança e o respeito, mas o carinho do povo de Contagem.