Política e Futuro

Zé de Souza prega importância de uma visão mais ampla sobre a política e mostra disposição para seu futuro na vida pública.

No Brasil, o vereador é o político que sempre está mais próximo da população. Na maioria das vezes, é a porta de entrada para quem opta por uma vida pública, o primeiro cargo ao qual as pessoas se candidatam. Até por isso, o voto é extremamente diluído, principalmente nas grandes cidades. Vota-se no vizinho, no líder comunitário, no indivíduo com que se convive no dia-a-dia.

Essa proximidade cria um grau de intimidade entre o eleitor e o vereador que dificilmente se repete em outros cargos. E também de dependência. Na hora do sufoco, é ao vereador que os eleitores recorrem, muitas vezes confundindo a função com mero assistencialismo. No Brasil, onde impera o desconhecimento sobre o que realmente faz um parlamentar, é ao vereador que os eleitores pedem cestas básicas, sacos de cimento, empregos, remédios e as ações mais prementes para a melhoria de suas ruas, bairros, comunidades.

Zé de Souza“É o vereador que vai lá, que briga pela comunidade, que faz e acontece, que cobra”, explica Zé de Souza. Eleito para o cargo pela primeira vez em 2012, após duas tentativas (em 2000 e 2004), o “homem de Boa Sorte” sabe a importância de seu papel para a sociedade, principalmente após a votação expressiva que obteve no último pleito: 4.030 votos, recorde de um candidato de esquerda em Contagem.

Filosofia política, filosofia de vida

A visão de política de Zé de Souza foi moldada por uma série de fatores. As derrotas sofridas, obviamente, têm seu peso, mas, nesse período, ele foi secretário municipal de Direitos Humanos, administrador da Regional Nacional, trabalhou no gabinete do deputado estadual Durval Ângelo, coordenou as campanhas vitoriosas de Marília Campos à Prefeitura de Contagem e presidiu o PT municipal por três ocasiões – está em seu quarto mandato atualmente.

“Infelizmente, a política ainda é vista de uma forma menor. Não consigo encarar dessa assim, me traz muita dificuldade”, lamenta Zé. “A política precisa ser mais ampla, precisa abarcar os direitos de todos os setores, não apenas de um, de maneira isolada. Se os direitos forem garantidos para todos, não haverá mais minorias. Ainda está muito distante do ideal, mas as coisas começam a mudar. Acho que hoje as pessoas participam mais da política”, pondera, esperançoso.

Para Zé de Souza, política é trabalho de equipe. “É impossível fazer sozinho”, afirma, com veemência. “Principalmente quando se chega em um lugar como a Câmara. Você chega com um monte de expectativas, com um saco de sonhos, mas sozinho não viabiliza nada”. Até por isso, Zé, ainda durante a campanha, acenava com a ideia de criar um conselho político na cidade, composto por lideranças de todas as regiões do município e representações setoriais, com o objetivo de debater todas as ações de seu mandato.

Disposição para o futuroIMG_7689 cópia

Perto de completar seu primeiro mandato como vereador, Zé de Souza faz um balanço positivo de sua trajetória na política. “A sensação é de vitória, me sinto orgulhoso”, diz, pensativo. “Se tivesse que percorrer outro caminho, não saberia sequer por onde começar. E talvez nem desse conta de fazer como fiz. até aqui, por isso sou extremamente grato”, confessa.

Os percalços e intempéries serviram como maturação e ampliação da consciência crítica. E para dar forças para novas batalhas. “Gosto de um desafio, me sinto mais jovem. Vou fazer 50 anos, mas é como se tivesse 30”, brinca, aos risos, para depois completar: “Já passamos por várias crises, várias dificuldades, e teremos outras pela frente, mas é preciso ser forte para encarar. E nessa altura da vida, me sinto plenamente revigorado”.

O sentimento que Zé de Souza tem por Contagem, cidade que adotou para viver e que aprendeu a amar, também serve de estímulo para a continuidade de seu trabalho. É pensando na cidade, na região em que vive, que trabalha, que ele traça seu futuro. “Quero poder continuar contribuindo. Temos muito que fazer por Contagem, por nosso povo. E eu sei que posso fazer diferença”.